Minha experiência em Roma

Infelizmente, não me preocupei em sair mais cedo de Florença e, com essa decisão, acabei me encrencando. Como sempre, a primeira atitude numa nova cidade era achar um lugar para dormir. Porém, depois da segunda tentativa de encontrar um albergue e descobrir estarem lotados, comecei a me preocupar.

Era a primeira vez que me ocorria esse problema. Em seguida, comecei a procurar pequenos hotéis e pensões, entretanto, os preços estavam acima do que poderia pagar, além de também estarem sem vagas.

Com o tempo, meu desespero aumentou e meu nível de exigência diminuiu. Àquela altura, estava disposto a me hospedar em qualquer hotel de três ou quatro estrelas. Afinal, seria apenas por uma noite e, abrindo uma exceção, poderia pagar muito mais caro do que o normal. Como também não me importaria em baixar o nível, chegando ao ponto de ficar em uma espelunca. Tudo o que eu queria era encontrar um lugarzinho para dormir.

Mesmo aumentando meu leque de opções, a história não se resolveu. Até que, num instante de extrema humildade, supliquei, numa pensão, por uma cama em qualquer lugar. Para minha surpresa, surgiu uma esperança. O gerente, depois de dar vários telefonemas, indicou-me um camping na periferia de Roma. Tive sorte. Pelo menos, tinha encontrado um lugar para ficar, apesar de ter de tomar dois ônibus, pois realmente ficava fora dos limites da cidade. Diria mesmo que estava no meio do mato, num lugar isolado, longe de tudo.

O quartinho era mínimo, com dois metros de comprimento por 2,5m de largura, com um beliche e uma cadeirinha de madeira. O banheiro era tão pequeno que quase dava para tomar banho sentado no vaso. Em toda minha pequena suíte, o piso era o mesmo, uma cerâmica vermelha velha, com partes lascadas, porém que brilhava. O cheiro era agradável e passava impressão de limpeza. Para completar, o preço era o mesmo do albergue. Apesar de tantas confusões e imprevistos, no final acabou dando certo. Contratei por quatro noites, por via das dúvidas.

Depois de tudo acertado, saí andando pelo camping fazer o reconhecimento do local. Saindo da casa da administração na entrada ao lado da rua, dobrando à direita, havia uns dez quartinhos no mesmo estilo que o meu e, à esquerda, um barzinho com várias mesas que, por estar numa parte mais alta do terreno, proporcionava uma ampla visão do camping, cheio de barracas e trailers.

Nesse momento, não havia mais nada a fazer. Estava entardecendo e eu não tinha outra escolha senão esperar que o tempo passasse. Iria comer e dormir para, no dia seguinte, começar a aproveitar o melhor de Roma.

Olhei para o camping e vi, ao longe, um pessoal jogando futebol. Não tive dúvida. Troquei de roupa e aproximei-me deles com aquela cara de “Posso brincar com vocês?” Na verdade, eles nem estavam jogando, somente batendo bola. Com a minha chegada, resolveram formar dois times com três jogadores. A rixa estava lançada e a disputa seria entre os escandinavos e os latinos.

Eram dois noruegueses e um finlandês contra um francês, um italiano e um brasileiro. Apesar de ter sido o último a me apresentar, assumi o papel de líder e combinamos as táticas. Aos poucos, algumas das pessoas do camping se aproximaram para assistir ao “grande evento”. Assim como em Londres, presumi que logo notariam meu toque de bola refinado e não demorariam muito a perceber de onde eu vinha. Cheguei a comentar que, se um time ficasse muito fraco, imaginando que fosse o deles, faríamos uma nova divisão para equilibrar os dois lados e a partida teria mais graça.

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