Montahismo: Encante-se com as tradicionais caminhadas da Áustria

Despertei animado, apesar da noite mal dormida. O café da manha foi o mesmo de sempre: leite achocolatado com bolo de chocolate. Logo depois, sem qualquer atraso, me pus a caminho. Reparei em dois senhores vestidos com roupas típicas do Tirol: bermuda marrom, com suspensórios, chapeuzinho com uma peninha do lado e duas botas grandes. Pareciam adequadas para o montanhismo, mais do que característico neste país.

Depois, enquanto seguia em direção ao local marcado para a partida do ônibus, notei que havia várias lojas vendendo equipamento para quem faz alpinismo ou para quem gosta de caminhar pelas montanhas. Lembrei-me da minha terra, do Rio de Janeiro. Lá não havia nada parecido com aquilo. Em compensação, não havia uma loja em Inssbruck vendendo sungas e biquínis.

Naquele momento, percebi a vantagem que levava em relação a quem não viajava. Quem poderia imaginar que talvez jamais tivesse me interessado em surfar, nadar ou mesmo praticar qualquer esporte aquático. Em contrapartida, poderia identificar com alguma coisa que não existisse perto da minha casa e, a partir dessa descoberta mudar de vida.

Definitivamente, subir uma montanha a pé não fazia meu gênero, entretanto perceber as diferenças de gostos ao redor do mundo era fascinante. Deixei minha mochila no guarda-volumes da estação de trem e cheguei ao lugar marcado no horário combinado. Esse programa era interessante demais para simplesmente me dar ao luxo de me atrasar.

O ônibus partiu e assim que saímos da cidade, começaram a surgir imagens magníficas. Ora passávamos por milhares de pinheiros em meio ao verde claro da grama, ora por pequenos vilarejos que mais pareciam desabitados pela arrumação mais que perfeita do lugar. As casinhas pareciam de boneca, com florezinhas na janela e uma igrejinha bem no centro da vila, com apenas uma torre, enfeitando o panorama da viagem. Mesmo com tanta beleza, não resisti e adormeci.

Quando acordei, já estava no sopé da montanha, onde ficava a estação de esqui.

O transporte seguinte era um teleférico. Este, porém, tinha a forma de uma casinha (todo fechado com vidro), com lugar para quatro pessoas, mas acabei embarcando sozinho. Coloquei todos os casacos de que dispunha e fiquei esperando ver a neve. O tempo foi passando e comecei a me assustar. Havia momentos em que a altura-era imensa e não parecia acabar.

Para meu alívio, ou melhor, deslumbramento, a neve apareceu e, quase ao mesmo tempo, cheguei. Estava completamente atordoado. Devia estar com cara de bobo, a paisagem era belíssima. Uma montanha coberta de neve bem branquinha, um céu azul e um hotel com dezenas, talvez centenas de pessoas circulando com suas roupas coloridas. Era bom demais estar ali.

Apesar de já ter visto em milhares de fotografias, cartões-postais ou na televisão, ao vivo era outra história. Era incrivelmente lindo. Assim que desci do teleférico, fui correndo em direção à neve e, depois de me ver totalmente cercado por todo aquele gelo branco, não parei mais de brincar.

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