Palácios, ruas e templos “teto do mundo”

As três aglomerações urbanas deste vale, aos pés do “teto do mundo”, estão quase conurbadas: Katmandu, Patan e Bhagaptur. Em que pese a pobreza geral, as dificuldades patentes expressas pela qualidade das vestimentas e das construções, é fascinante percorrer as ruas mais centrais; organicamente estendem-se, estreitam-se ou alargam-se para acolher edificações mais significativas: os durbar (palácios), as stupas (templos budistas) e alguns edifícios administrativos.

As fachadas, com seus elaborados portais de madeira esculpida, são esplêndidos; e igualmente admiráveis os monumentos em praças em que se acotovelam os cidadãos e suas bicicletas ou seus muares. O casamento entre os afazeres cotidianos da população e o ambiente físico com seu tradicional cenário arquitetônico parece ser um casamento feliz…

No durbar de Katmandu, transformado em museu, visitamos a mostra histórica dos reis de uma monarquia passada. Por tradição estavam os reis proibidos de sair do país, o que aumentava o isolamento em que permaneceu o Nepal nos séculos passados. No entanto, os últimos dois monarcas, um deles de aparência flácida lembrando Oscar Wilde, receberam tal permissão, e suas visitas às capitais europeias são testemunhadas com ênfase na pequena mostra, tendo resultado na importação exclusiva de inovações: a grande cama de latão, o automóvel conversível, a luz elétrica.

No dia seguinte, ao aguardar no pequeno aeroporto que a bruma se dissipasse, deixando aterrissar o avião da Lufthansa, li no Herald Tribune de 20 de janeiro, que os Estados Unidos reagiam enfaticamente contra a sugestão feita à imprensa por Boutros Ghali, de se financiar as Nações Unidas por intermédio de uma taxa internacional sobre passagens aéreas ou outra modalidade semelhante. O argumento do porta-voz da

Casa Branca era de uma considerável hipocrisia: “Esta proposta não ira longe nos Estados Unidos, pois afinal de contas é esse país a principal fonte de suporte financeiro da ONLT. Esqueceu de mencionar que esse país estava devendo 1,6 bilhão de dólares à ONU, por ter suspendido suas contribuições há anos, criando gravíssima crise na instituição.

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